quinta-feira, 27 de abril de 2017

O Futuro do Futebol não interessa?!

Embora os media desportivos não prestem muita atenção, está a decorrer mais uma edição do Congresso "The Future of Football", evento organizado pelo Sporting. É curioso como os paladinos das "verdades" e os eternos "preocupados" com a vitalidade do nosso desporto-rei, conseguem passar completamente à margem deste acontecimento. Este comportamento não é inocente. Colocar o Sporting como o único clube em Portugal interessado em discutir o futuro do futebol dói que se farta aos que passam o ano inteiro atrás de um retrato de um clube falido e de um presidente errático.

É claro que se fossem outras cores mais avermelhadas a patrocinar tal certame, seria um megafestival de elogios e lambebotice rasca e fácil ao "Estadista". Não faltaria um autêntico rodízio de links, directos, referências directas e indirectas colocando o Benfica no altar da ciência do desporto e na pioneira atitude de dar espaço ao debate sobre a indústria.

Mas não. Não tendo tons de vermelho, ignora-se o valor do diálogo e dá-se o mínimo de cobertura possível. A abertura do restaurante de Schelotto na Expo tem mais destaque, é mais relevante que um evento com um painel de convidados de excelência predispostos a partilhar as suas visões e preocupações sobre o amanhã do futebol mundial. Não é apenas ridículo. É um crime que lesa o verdadeiro significado de ser jornalista. Nada de novo? Sim, nada de novo. Ainda assim é grave e merece a reflexão dos adeptos.

Até que ponto os jornais desportivos, as secções de desporto das rádios, as direcções de informação das tv´s querem fazer parte, querem contribuir para a evolução do adepto e do desporto português? Até que ponto este pântano de agressões verbais e físicas não lhes é mais conveniente? Até que ponto não são parte promotora do mau estado do nosso desporto-rei e talvez os únicos que lucrem directamente com isso?

Eu sei a resposta. Penso que todos vocês também saibam. E isso deve ajudar-nos a todos a escolher melhor onde devemos procurar a nossa informação desportiva. Deve ajudar-nos a decidir quais os negócios que queremos "financiar" como consumidores.

SL

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Insustentável

Ouvia até à última semana muita gente afirmar que "só morrendo alguém" é que as entidades (FPF e Liga) iam intervir no estado absolutamente caótico em que se encontra o futebol português. Pois bem, isso aconteceu mesmo e na pior forma possível. Segundo todas as notícias, um adepto benfiquista (ou mais) voluntariamente e intencionalmente tirou a vida a outro adepto que estaria acompanhado por membros da Juve Leo.

É discutível que as razões que levaram a este crime tenham motivações apenas clubísticas, mas o enquadramento é totalmente ligado ao futebol e à rivalidade entre os clubes de Lisboa. E então o que fez a Liga e a FPF, o que fez a tutela do Governo? Nada. Aguardam serenamente que o tema saia da opinião pública enquanto se escondem por detrás das investigações criminais e judiciárias. E a matéria desportiva? Ah...deixem-me adivinhar...a vítima era um arruaceiro, nem sequer era português e estava mesma a pedi-las. Pois...

Parece que agora as vítimas são classificadas, o crime é desculpabilizado e o culpado, o assassino, é deixado à solta ou "procurado". Tanto Sporting, como principalmente o Benfica (que nem sequer tem claques oficializadas - apesar de receberem todos os previlégios de tal estatuto) estão a passar ao lado da responsabilidade desportiva...e têm-na. Não tenho dúvidas nenhumas que merecem castigos, tal como não tenho dúvidas nenhumas que não os recebem para quem ninguém vá ao centro da questão: quem são os responsáveis por este clima e como podem as entidades responsáveis acabar ou sequer minorar o problema?

É que na raiz desta situação está um polvo. bem orquestrado, bem pago e instruído directamente pela direcção do Benfica para agir como criador de polémicas, insultos, acusações sucessivas e desinformação. Tudo o que o desporto não devia ter ou patrocinar. No âmago da problemática está o modus operandi de um presidente que descobriu que montar uma mafia dentro do centro de poder de um clube de futebol passa impune, passa como competência, passa como virtude de gestão. E não é. É apenas banditismo, seja ele na forma de claques patrocinada, mediáticos opinadores, árbitros que devem favores e gratidão, dirigentes avençados dentro da FPF ou Liga ou mesmo altas patentes na PJ e PSP.

Como é que o polvo se vai castigar os seus próprios tentáculos?

SL

P.S.- Já tinha visto quase tudo até que vi João Gabriel (ah e tal, não tem cargo no Benfica...pois é) a atacar o Presidente da Liga. O modo das claques não legalizadas é muito semelhante aos opinadores não cartilhados e aos cães de fila não avençados. É tudo pago, é tudo orquestrado, mas não é "oficial". Logo não pode ser responsabilizado. Chama-se a isto "marginalidade".


segunda-feira, 24 de abril de 2017

Fim ou início?

Este empate marca o final desta época para o Sporting. Não sendo trágica, também não é satisfatória. Bem longe disso. Face ao investimento realizado só podemos classificar este ano como...insatisfatório e olhando para o que os nossos rivais fizeram, só posso pensar que foi uma pena termos ficado tão longe do que fomos capazes de fazer na temporada anterior. Nem Porto, nem Benfica, foram super-equipas. Nem de perto, nem de longe.

O jogo de Sábado esclareceu ainda mais uma coisa: ainda falta à equipa actual argumentos para se impor. Ainda faltam soluções que não existem e ou as encontramos ou as construímos, mas não vale a pena fingir que as temos. As laterais precisam de profunda revisão e a fase de construção do ataque emperra mais vezes do que o ideal. Culpar os avançados é só identificar metade do problema. A William e Adrien faltou muitas vezes o terceiro elemento. Faltou toda a época.

Espero sinceramente que principalmente JJ e BdC entendam onde se errou esta época e preparem muito melhor o próximo plantel. Que não se deixem com a ilusão que contratar meia-dúzia de brasileiros e argentinos resolverá o problema de raiz desta equipa...que é de articulação de movimentações e não de fraca valia dos atletas. Sim, os laterais podem e devem dar mais soluções, mas regra geral não vejo este elenco como tão fraco como muitos reclamam. 

Última nota: Podence, Geraldes, Iuri, Palhinha, Semedo e outros valem todo o esforço que JJ empreender na sua integração no plantel e no onze. Espero que, mais uma vez, não se adiem as esperanças em prol de umas quimeras que depois esbarram na realidade.

SL

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Repor verdade

O que vale um derby quando estamos a 5 pontos do 2º lugar e a 8 do 1º? Para mim, vale muito. Pode não servir para mais do que encurtar distâncias para o líder da tabela, mas essa também se torna importante para devolver alguma verdade aos números desta época. Não vejo o Sporting inferior aos seus rivais. Não tem um plantel inferior, não tem um treinador mais limitado, não tem uma massa adepta que lhe impeça de fazer uma temporada super-suportada nas bancadas.

O que faltou ao Sporting para estar a par e passo dos seus competidores ao título foi pouco, mas foi decisivo. Algum desnorte na construção do plantel (com apostas em jogadores que foram pensados como decisivos e não justificaram esse estatuto), alguma falta de concentração em jogos de vitória obrigatória e como não podia deixar de ser os habituais erros de arbitragem absurdos (empate em Guimarães, empate no Nacional, derrota na Luz, etc). A equipa abanou bastante e embora nunca tenha caído em nenhum precipício, deixou-se afundar num marasmo exibicional que a distanciou da forma da época passada. O verniz entre o treinador e alguns jogadores ameaçou estalar, mas o ponto de ordem foi feito, pena que tarde demais para recuperar o tempo perdido.

Mas 8 pontos de distância não espelha minimamente a diferença (se é que existe) entre Benfica e Sporting e é isso que a nossa equipa tem de demonstrar no Sábado. Uma vitória, mais do que devolver esperança (5 pontos a tão poucos jogos do fim é uma distância enorme) devolverá a confiança aos jogadores, adeptos e treinador, a confiança de que evitando alguns dos erros cometidos este ano, estaremos em plenas condições de voltar a estar noutro patamar na próxima temporada. A questão da arbitragem será mais complexa e exigirá uma concertação de factores que não controlamos.

SL

PS - Ah...e na verdade estou-me a cagar para quem ganha o título.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Os putos não ganham títulos

A frase do título já foi amplamente discutida e é mesmo a opinião de muitos adeptos (e não só) do futebol cá do burgo. Devo dizer que acho a frase (ou o seu contrário) um preconceito absolutamente estúpido. Primeiro porque a idade de um jogador é só um dos seus atributos e nem é especialmente relevante. Há jogadores com 24 anos com bastante mais maturidade do que veteranos de 34, já que nem sempre os jogadores sabem acumular a experiência da mesma forma e existem jovens que precocemente desenvolvem comportamentos inatos que os levam a superar a normal "falta de jogo" em competições de alto nível.

Aliás cada vez mais um jogador de 34 anos pode conseguir performances atléticas comparáveis a atletas 10 anos mais jovens, variando sim no tempo de recuperação que será obrigatoriamente mais longo. O dogma da idade é acima de tudo um arquétipo desusado que cada vez mais se prova inútil e até limitativo da forma como se olham os jogadores e as equipas. Ao ver o Mónaco ou o Leipzig jogar entendemos facilmente que é preferível ter uma formação de média de idades bastante baixa e muito talento a ter uma média de idades mais elevada, muito mais experiente, mas menos talentosa. O diferencial é o talento e não a idade.

O que devemos cada vez mais considerar como fulcral nestas análises é o factor "momento". Qual é o momento do atleta? Está confiante, sem lesões, confia no treinador, encaixa-se bem no onze, desenvolve bem o plano de jogo, está adaptado à língua e ao estilo de jogo da competição, está confortável com os objectivos do clube? O momento é tudo isto e muito mais, mas é neste círculo de dados que devemos posicionar considerações ou comparações. Num dado momento o jogador A pode estar mais apto que um jogador B, por qualquer das razões acima descritas, mas nunca por ser mais novo ou mais velho.

Convém até desmistificar a ideia de progressão linear na carreira dos jogadores de futebol. De ano para ano, os jogadores não evoluem de forma automática, evoluem conforme as suas experiências de jogo. Podem até regredir se jogarem pouco, se jogarem mal, se tiverem lesões graves, se a equipa tiver pretações bastante abaixo das suas metas. Lembro-me facilmente de jogadores que eram bem melhores aos 21 ou 22 anos do que aos 27 ou 28 anos.

Os putos ganham efectivamente títulos. Especialmente os bons.

SL

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Dios nos livre

Teo de volta? Ele diz que sim. Eu desejava que não, mas parece-me que com a idade com o rapaz já tem e com mais uma época para esquecer a nível disciplinar e exibicional...provavelmente é o desejo do Colombiano que vai ser cumprido e não o meu.

Ainda assim, tenho a esperança que exista algum clube chinês ou arábico que tenha uns cobres para levar este jogador, sendo que para ele, deve ser já igual ao litro competir em Portugal ou noutro país qualquer.

Não me entendam mal, gosto do Teo como jogador...acho mesmo que quando se resolve a jogar à bola e a entregar-se à sua actividade profissional é uma solução excelente. O pior é que isso sucede de tempos a tempos com enormes hiatos de infantilidade e primadonice extrema. Sinceramente, não é um risco que o Sporting deva correr, se for possível.

SL

terça-feira, 18 de abril de 2017

A apagar fogos com chá e scones?

Cânticos ofensivos, objectos arremessados para campo, very lights, petardos, declarações incendiárias emanadas de cartilhas de propaganda, claques não oficiais a receber apoios oficiais…enfim todo um cardápio de inoperância da Liga e da FPF que vai ao encontro de uma superlativa negligência. É grave e um dia pode gerar consequências muito mais graves que bate-bocas deselegantes. Mas o que fazem as instâncias mandatadas para cuidar que nada disto suceda, ou pelo menos, que nada disto suceda de forma impune? Nada. Míseras multas que não chegam sequer para desmotivar o completo hooliganismo que tomou conta das claques e dos dirigentes que as suportam.

Chegámos ao cúmulo de ver dirigentes a subir na cadeia de comando da UEFA, enquanto o nosso futebol vai estalando de incompetência e laxismo. Dizem que a culpa é dos clubes, que retalham o poder da FPF e Liga, retirando-lhes capacidade de intervenção e manobra, esvaziando-lhe a autoridade e independência. Rio-me desta análise. É quase como se encolhêssemos os ombros, aceitando que os “ladrões” controlem os “polícias”. Aceitamos realmente que os infractores tenham mais poder que os que devem punir e evitar as infracções? É assim tão fácil desresponsabilizar pessoas que foram eleitas e ganham muitos milhares de euros mensalmente para ficarem imóveis perante o banditismo crescente do nosso futebol? 

Urge uma profunda reflexão e um apontar de dedos a quem se diz “responsável” por organismos a quem compete defender o espectáculo e os espectadores do futebol. Se não se sentem capazes ou autónomos para tomar medidas exemplares e estruturais, que se demitam oficialmente. É que fingir que se toma um chá na sala enquanto a casa arde é, além de ridículo, um passo seguro rumo à desgraça.


SL

sexta-feira, 7 de abril de 2017

De Janela para o abismo

Adorei o spin que o Benfica encontrou para justificar os briefings do Janela aos paineleiros. A fuga para a frente que foi o assumir da cartilha como sinónimo de organização e eficiência comunicacional é absolutamente divinal e tão podre de argumentos como a honestidade desse poeta de propaganda chamado Carlos Janela. 

Alguém que tenha lido 2 ou 3 linhas do documento partilhado entende exactamente o que aquilo é e só um mentecapto poderá defender que é sintoma de qualquer coisa que alguém se pode orgulhar. Aquele documento é um manual de demências em forma de argumentos, mal arrebanhado e sobretudo ofensivo para quem se apresenta num programa de televisão como um agente independente, com voz própria.

A distorção moral que levou a alguém no Benfica a ter algum dia imaginado ser útil enviar documentos com dezenas de páginas recheadas de falsidades, invenções, teorias da conspiração e todo um arsenal de pseudo-factos é assinalável, mas não é surpreendente. Faz parte de uma forma de estar no desporto que condiz com a mentalidade do seu presidente, que lembremo-nos “foi educado” seguindo máximas do seu “mestre” e amigo pessoal, Pinto da Costa. Vencer justifica tudo, acumular poder justifica todos os expedientes e a divergência interna ou externa será sempre punida severamente. Na doutrina de PInto da Costa e Vieira não existe espaço para mais nada que não seja a obediência total e a rendição absoluta ao que o “presidente” diz e faz. E incomoda tanto a opinião “livre” que urge sempre a necessidade de afunilar a opinião pública na direcção da perfeita adoração, do elogio permanente e da total ausência de questões incómodas.

O que verdadeiramente significa a cartilha de Janela? Para mim é uma submissão voluntária do espírito crítico ao pensamento único e completamente favorável a todo e qualquer expediente. Os media tenderão a reflectir cada vez mais uma agenda uniformizada e controlada e não uma visão diversificada e crítica. Se isto mostra organização e inovação? Sim, mostra, mas o resultado da mesma não podia ser mais negativo. Se todos imitassem o Benfica, o diálogo era inexistente e impossível de atenuar discordâncias e sabemos ao que isso leva ao fim de algum tempo. Joseph Goebbels foi um génio, um inovador, mas dificilmente existirá alguém que o cite como bom exemplo e não vejo a História a celebrá-lo como algo de que nos devemos orgulhar.


SL

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Polvo à mineiro

Todos sabiam que haviam briefings, todos já tinham topado a lábia lampiã de janela, mas faltavam provas. 

Agora já existem (vejam aqui:http://bit.ly/2nDqze1) e isso só demonstra por A + B que a instrumentalização dos media no Benfica não só é coordenada como paga e isto é um verdadeiro polvo de comunicação. 

Não sei como vão reagir os directores de estações televisivas ou os chefes de redação dos jornais e rádios, mas se existisse um pingo de dignidade, de transparência ou respeito pelo público, estes avençados eram todos corridos. Mas isto sou eu a imaginar que vivemos num país de pessoas que se regem por regras de boa conduta e respeito pelo que fazem.

SL

terça-feira, 4 de abril de 2017

Descalcem a bota

O Sporting fez várias participações ao Conselho de Disciplina pedindo castigos a atletas, treinador e dirigentes. Fez também uma queixa ao IPJ por apoios ilegais às claques do Benfica (que não estão legalizadas).

E fez muito bem. Não que espere grandes consequências, rigor ou sequer tratamento igual ao que nos tem sido dado pelas mesmas instâncias, mas porque é bom assinalar a todo o desporto nacional que não andamos a dormir e muito menos comemos (injustiças) e calamos.

Há quem não goste destas denúncias sem ser parte interessada, mas convém lembrar a essas pessoas que muito pior seria se adoptássemos uma postura passiva e desusadamente neutra nesta guerra sem quartel que os lampiões nos têm dado. É preciso colocar Vieira e os seus advogados com a certeza de que o Sporting responde quando atacado e que o tempo em que os punhos de renda massajavam as acções de guerrilha encarnadas, acabou.

Desenganem-se os que acharem que estamos a exagerar nas denúncias ou pedidos de castigo, pois de uma coisa eu tenho a certeza, no nosso lugar os nossos rivais fariam muito mais e muito pior do que nós fazemos.

Cabe agora aos juízes descalçar a bota que nós enviámos, expondo-se ridiculamente à tendência que têm em proteger certos clubes e perseguir outros.

SL

P.S. - Não deixa de ser algo poético que Samaris venha a ser castigado sobre a mesma moldura que foi Slimani por um acto muito semelhante sobre...o próprio.